quinta-feira, 11 de junho de 2009

Lusofonia

Até ontem ficava indignada quando alguém dizia que nós brasileiros não falamos português e sim brasileiro. O fato do uso da língua ser diferente, em aspectos bem marcantes da gramática inclusive, não a divide em duas.

Continuo pensando assim, mas ontem à tarde tivemos uma conversa inflamada entre colegas brasileiros e portugueses a respeito da apropriação de palavras estrangeiras. Um papo chato e inconclusivo para ambos os lados. O assunto em si tem pouca importância para mim, nem sequer tenho uma opinião formada sobre a incorporação de novas palavras. A discussão, entretanto, me fez refletir sobre aspectos mais globais da língua.

A língua tem uma grande importância dentro do âmbito econômico em geral e de forma cíclica. O inglês passou a ser estudado e falado em praticamente todo o mundo a partir do boom dos países de fala inglesa, principalmente dos EUA. Hoje, é ele próprio uma ferramenta muito importante.

O Brasil não precisa insistir em uma língua diferente como forma de afirmação política, cultural e territorial, como é o caso do País Basco ou da região da Catalunha, por exemplo. Mas, tão pouco, precisa do aval português para manter a soberania da língua no país e assim facilitar o seu crescimento econômico. O Brasil é extremamente visado e poderoso por ter uma grande massa de consumo e também pela sua força na exportação de produtos agrícolas e industrializados. Devido a isso e também ao diálogo internacional positivo que nossos líderes vêm mantendo com países de perfil político diferentes e antagônicos, como Venezuela, Estados Unidos e Cuba, por exemplo, Portugal se torna quase um detalhe na vida comercial do nosso país.

Talvez eu esteja exagerando, mas o que eu quero dizer é que, com certeza, seria bem mais importante para Portugal que para o Brasil qualquer tipo de vínculo ou acordo que ajudasse a alavancar os negócios, ainda que de maneira secundária.

A questão é que existe em nós – de ambas as terrinhas – uma mentalidade com mais de 500 anos de história. Os portugueses ainda se sente os colonizadores, os donos da língua e da verdade, e os brasileiros não conseguem cortar o cordão umbilical. Eu continuo falando e escrevendo português, mas eles insistem em dizer que nossa forma de expressão é feia e incorreta. Se falar português dá a eles autoridade sobre o nosso uso da língua, então, ok, eu falo brasileiro!

2 comentários:

Raphael disse...

esse negócio que se diz aqui em portugal que "brasileiro fala brasileiro", é mesmo um "pé no saco".

eu sempre digo que se "brasileiro fala brasileiro, português fala luzitano". aí fica tudo empatado.hehehehe.

Cris disse...

Mosico, essa de português falar lusitano, admita, vc robou de mim ;)

Infelizmente, nunca tive a oportunidade de izer isso a um português hehehe queria ver a reação.

bjs

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